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		<title>Decadência no SUS</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 14:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fagnerabreu</dc:creator>
				<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Aricelma Araújo “A farmácia está fechada. Por que está fechada? São apenas 16h”. São as palavras de uma funcionária do Ministério de Saúde ditas pelos corredores do Centro de Saúde Dra. Cecy Andrade, em uma tarde de segunda-feira. A funcionária tinha comparecido ao centro para fazer uma inspeção e logo encontrou uma de tantas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=26&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma.jpg" /></p>
<p>por Aricelma Araújo</p>
<p>“A farmácia está fechada. Por que está fechada? São apenas 16h”. São as palavras de uma funcionária do Ministério de Saúde ditas pelos corredores do Centro de Saúde Dra. Cecy Andrade, em uma tarde de segunda-feira. A funcionária tinha comparecido ao centro para fazer uma inspeção e logo encontrou uma de tantas falhas existentes no posto que podem ser perceptíveis para aqueles que estiverem nos corredores do posto. Os funcionários, que não quiseram se identificar, argumentaram que a farmácia estava fechada por que a gerente Helena havia deixado a chave, como de costume, com o rapaz que trabalha na farmácia e, naquele horário, ele já havia ido embora, levando consigo a chave. A funcionária do Ministério argumentou: “Se isso chegar na Secretaria de Saúde, o negócio pode pegar”. A situação do Centro Cecy Andrade, no bairro de Castelo Branco, não é muito diferente dos outros espalhados pelo Brasil.<span id="more-26"></span></p>
<p>A auxiliar de enfermagem Aldair Souza Moreira, 56 anos, que trabalha no posto há mais de 15 anos e atualmente está à disposição da administração por motivo de saúde, disse que o posto precisa ainda ser completamente informatizado e que, apesar de possuir o Terminal de Atendimento ao Sistema (TAS), falta investimento do governo para que o sistema seja colocado em prática. Aldair ainda declarou: “O único sistema que temos aqui no posto é o que cadastra os pacientes e o atendimento na unidade. Contamos apenas com um único computador, e ainda sem impressora”. Este é apenas um dos problemas que, conversando com funcionários do posto, é possível perceber.</p>
<p>Marinalva Oitabem, 54 anos, que trabalha há mais de 14 anos no posto, cuida da freqüência dos funcionários, recebe e solicita os medicamentos e administra a unidade. Ela é técnica em contabilidade, auxiliar de enfermagem e fez um breve relato da história do posto. Contou que quando o centro de saúde foi criado, era uma emergência onde se faziam atendimentos emergenciais e passou a ser ambulatório por causa da demanda e da falta de profissionais, que era muito grande. “Na época, nem hospitais pelas redondezas existia. O povo recorria era aqui mesmo”. Ela disse que a concentração de pacientes a cada dia ia crescendo e os profissionais iam se aposentando. A prefeitura municipal então resolveu transformá-lo em ambulatório.</p>
<p>O posto foi inaugurado em 8 de março de 1975. O nome dado foi uma homenagem à médica Cecy Maria Andrade, esposa do então prefeito da época, Clériston Andrade. Ao longo dos anos, foi passando por mudanças estruturais, até que em abril de1991, na gestão do prefeito Fernando José Guimarães Rocha, a unidade foi reformada e equipada com apoio da Associação Italiana para Solidariedade entre os povos (AISPO). Nos últimos dois anos, em quatro de novembro de 2005, na gestão do atual prefeito João Henrique de Barbadas Carneiro, a unidade passou por novas instalações na sua estrutura. Mesmo com reformas daqui e dali, os pacientes reclamam do atendimento e do descaso que enfrentam nas filas de atendimento. Maria de Jesus Santana, 29 anos, comentou sobre o atendimento. “Isso aqui não é brincadeira não. Temos que ter sangue de barata, por que se não agente perde todo nosso tempo e ainda não é atendida”.</p>
<p><strong>Serviços de atendimento</strong><br />
A administradora contou que diariamente são feitos mais de 500 atendimentos, entre consultas médicas, curativos, atendimento de serviço social, distribuição de remédios, planejamento familiar, programa de combate a tuberculose, pré-natal, colocação do DIU, tratamento reitratação oral (TRO), vacinação, posto de coleta, entre outros. As consultas médicas são referentes a ginecologia, oftalmologia, nutricionista, pediatria, clínica médica, odontologia e algumas delas ocorrem em dias alternados. O Serviço Social é responsável pelo atendimento aos pacientes a depender do caso e distribuir remédios como Ampicilina, Amoxilina, Ameprazol, remédios de hipertensão, diabetes, tuberculose, preservativos.</p>
<p>O atendimento das vacinas acontece todos os dias e são muitas, contra paralisia, hepatite, tetra, contra raiva, BCG, febre amarela, DT, dupla viral, Sarampo e outras. Quando perguntada sobre a quantidade dos medicamentos recebidos da Secretaria Municipal de Saúde, a administradora respondeu: “É pouca. Insuficiente para a demanda que temos aqui. Os medicamentos que vêm em maior quantidade são de hipertensão e pediátrico”. Comentou ainda sobre os produtos que faltam. “Olha, falta tudo. Até material de limpeza. Às vezes somos nós mesmo que compramos, tiramos do nosso próprio bolso, não queremos ver a unidade suja”. Falou ainda que qualquer paciente  pode ter acesso aos remédios  do posto, desde que leve consigo a receita e o documento de identidade. Os medicamentos que mais faltam, são aqueles utilizados em curativos, falou da insuficiência. “Vem tudo pela metade, não é satisfatório”.</p>
<p>O posto não funciona no horário que deveria funcionar. O expediente ao certo deveria ser das 7h às 19h, e no entanto funciona das 7h às 17h. Marinalva falou que foi decisão da Secretaria Municipal de Saúde. Para uso do serviço da coleta, o paciente precisa chegar cedo para pegar uma senha. Geralmente o posto disponibiliza mais ou menos 20 fichas. O material é colhido e em seguida enviado para o laboratório do Hospital São Rafael para análise. Os exames feitos são de glicemia, teste de diabetes, hemograma, de urina, de colesterol e outros.</p>
<p>O centro de saúde, segundo dados da coordenadora, possui mais ou menos 59 funcionários, mas percebe-se que alguns deles não cumprem a carga horária corretamente. Isso acontece, explicou a administração do posto, devido a falta dos funcionários das empresas terceirizadas contratadas pela prefeitura municipal, que prestam serviço ao posto, por estarem com salários atrasados. A falta dos funcionários ficou bastante perceptível, quando, de repente, uma das enfermeiras comentou com alguns funcionários: “A sala está suja. Nem vou deixar abrir”. Não só a ausência dos funcionários é perceptível, como também de médicos e até mesmo de funcionários da administração do posto.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma3.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma3.jpg" /></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Pacientes</strong><br />
Na recepção, os pacientes que aguardavam atendimento reclamavam da demora do atendimento, da falta e dos atrasos constantes dos médicos, da farmácia que abre às 8h e, até aquele momento, 8h30 ainda estava fechada, pelo atraso do funcionário responsável, da demora na verificação da pressão arterial. Enfim, as queixas são muitas. A paciente Damiana Maria de Almeida, 46 anos, desabafa: “Aqui é péssimo. Sou moradora do bairro e levei mais de dois meses para conseguir fazer o cartão daqui”. Disse ainda ter conseguido através de amizade e completou: “A gente paga imposto tão caro e tem esse mau atendimento”.</p>
<p>Quando perguntada sobre a demora dos atendimentos, a coordenadora respondeu que em alguns momentos e, de acordo com alguns procedimentos, o paciente tem que esperar, argumentando: “Para verificação da pressão arterial, como é o caso, as pessoas que vêm caminhando de certa distância, não entendem que precisam esperar alguns minutos para relaxar. Querem ser logo atendidos. O procedimento não é esse. Tem que ter calma e esperar de 10 à 15 minutos”.</p>
<p>Sobre a demora da confecção do cartão, a funcionária Maria de Lurdes Barbosa Freitas, uma das responsáveis pelo serviço, informou que às vezes falta material no posto para confecção dos cartões. E disse ainda que a confecção dos cartões se dá de acordo com a disponibilidade de efetuar marcação de consultas médicas. “Se tiver, por exemplo, vaga para consulta com clínica médica, e for a primeira vez do paciente, nos faremos o cartão, se não&#8230;”</p>
<p>Pelos corredores do posto, as queixas a cada momento vão surgindo. Enquanto observavámos o movimento na recepção, chegava um rapaz com ferimento e sangramento no pé, que não foi atendido por falta de material para curativo. O paciente se indignou e a confusão cresceu. A enfermeira tentou explicar a situação, mas nada foi resolvido. O paciente teve que se dirigir a outra unidade de saúde para tentar atendimento.</p>
<p>A coordenadora, quando perguntada sobre casos de pacientes agressivos, respondeu: “Um cidadão, há um tempo atrás, por querer ser logo atendido, e tinha que aguardar sua vez chegar, sacou uma faca com objetivo de agredir a nossa funcionária. Acionamos imediatamente a polícia  e ele foi retirado do posto”.</p>
<p>As reclamações sobre a falta de médicos não são apenas dos pacientes, até mesmo os funcionários reclamam. Maria Valmirete das Mercês Santos, 50 anos, funcionária do posto há mais de 30 anos, que trabalha na área do Serviço de Arquivo Médico Estatísticos (SAME), afirma: “O problema maior é a demanda e a quantidade de médicos, que é pouco. A demanda é grande e a oferta é pouca”. No atendimento de vacinação, de acordo com opiniões de pacientes e mães de crianças, está tudo normal. Márcia Santana falou: “Graças a Deus, com vacina eu nunca tive problema por aqui. É uma das coisas que não falta”.</p>
<p>De um lado estão os pacientes, com as suas  queixas e com reclamações sobre da falta de atendimento no posto, de outro, aparecem os funcionários acusando a Secretaria  Municipal de Saúde, por não enviar o material de forma suficiente e por não terem condições favoráveis de trabalho. No final, não se sabe o que é procedente. Para responder a essas questões, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde foi ouvida.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma2.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma2.jpg" /></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Secretaria Municipal de Saúde</strong><br />
Sobre a quantidade de material e medicamentos insuficientes recebidos no Centro de Saúde Cecy Andrade, o assessor da Secretaria Municipal de Saúde, Augusto César Barrocas, respondeu que a falta dos mesmos pode está acontecendo por alguns motivos. “Está havendo ou por falta de planejamento correto na hora da solicitação por parte do posto de saúde ou por causa da demanda que talvez esteja crescendo”. O assessor falou também da forma da aquisição dos remédios, explicando que se dá através de pregão eletrônico ou licitação pública.</p>
<p>Falou que tudo é comprado de acordo com a necessidade de cada distrito responsável pelos postos de saúde agregados a ele. “Todo posto tem que ter uma relação diária com seu distrito, fazer as solicitações e a partir daí o distrito nos enviará”. Citou um distrito como exemplo: “O de Pau da Lima responde pelo posto de Castelo Branco, Dom Avelar, Vila Canária e outros. Toda solicitação que a coordenadora Maria Helena recebe dos postos, em seguida nos envia e aí providenciamos solucionar os problemas. A função do distrito é fazer a relação com a sociedade, com os postos espalhados e com a Secretaria de Saúde”. Assumiu que os investimentos da Prefeitura Municipal na área da saúde têm sido insuficientes, por causa de verbas. Argumentou ainda que o distrito do bairro de Rio Vermelho é o que tem maior quantidade de bairros, e talvez de postos.</p>
<p>Barrocas falou também sobre o fato de de certos medicamentos não serem encontrados pelos pacientes nos postos de saúde. “Em postos onde o atendimento se restringe à ambulatório, o paciente encontrará serviços ligados apenas a ambulatório, tipo vacina, consulta médica, curativo. É  claro que se um paciente precisar de um atendimento de maior porte a unidade não vai oferecer. É assim mesmo coma a questão da falta de certos remédios”. Afirmou que existem nove centros de saúde 24h na cidade e cinco postos de atendimento odontológico também 24h. Estes utilizados para situações emergenciais.</p>
<p>A assessoria declarou que o maior problema no Sistema Único de Saúde (SUS) em Salvador é falta de investimentos. “O governo Federal e Estadual transferiu a responsabilidade toda para o governo municipal, mas a prefeitura sozinha não consegue financiar as despesas”. Quanto às queixas dos pacientes sobre o Centro de Saúde Cecy Andrade, o órgão respondeu que algumas procedem e que outras ainda não devem ter chegado ao conhecimento da Secretaria, mas que existe o sistema de ouvidoria, através do qual o paciente faz a reclamação pessoalmente, via email ou pelo telefone 3186-1100, recebendo um protocolo e através deste aguarda solução do problema. Segundo dados fornecidos pela ouvidoria, em 2006, com o programa Urbaniza SUS, as reclamações reduziram pela metade.</p>
<p>Barrocas afirmou que o sistema SUS ainda está em implantação e para que seja melhorado é preciso investir mais em medicamentos, em profissionais, aparelhos  e remunerar melhor. “O nosso maior problema é o baixo investimento que é feito”.</p>
<p>A assessoria comentou que há 14 anos atrás eram apenas 26 unidades de atendimento espalhadas na cidade  e atualmente são 126. Segundo o assessor, Salvador possui 52 unidades de Saúde Básica que se referem a ambulatórios; 43 unidades de Saúde da Família, que só existem em alguns bairros e realizam um atendimento diferenciado dos outros postos; 13 unidades de Saúde Mental; Unidade Cardiológica; três Centros de Especialidades Odontológicas; Centro de Saúde ao Trabalhador; o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi implantado em  18 de julho de 2005 com objetivo de preservar vidas e  pode ser acionado através do número 192  e outras unidades que ajudam a população.</p>
<p>Sobre projetos para o posto Cecy Andrade, respondeu que há o projeto de implantação da Central de Marcação de Consultas, o projeto de transformá-lo em uma Unidade do Programa Saúde da Família (PSF) e o uso do cartão SUS, que é um projeto do Ministério da Saúde e está parado por que a verba apesar de já ter sido aprovada ainda não foi liberada. Sobre projetos da Secretaria Municipal de Saúde para melhorara o SUS, Barrocas afirmou que um dos principais objetivos da Secretaria é de transformar todas as unidades de saúde básica em unidade Programa Saúde da Família.</p>
<p>Quanto à quantidade de médicos insuficiente nos postos, declarou: “Falta investimento. Os médicos hoje em dia não querem colocar sua vida em risco trabalhando em uma área perigosa para ganhar um salário da mais ou menos R$ 1.200. E quanto aos atrasos dos médicos no Centro Cecy, é preciso ver o que está acontecendo, se procede ou não”. Quando questionado sobre a falta constante dos funcionários das empresas terceirizados na prestação de serviços no posto, o assessor respondeu que o assunto é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Administração, responsável pela contratação.</p>
<p>Com as situações presenciadas no Centro de Saúde Cecy Andrade, se observa que a realidade vista está relacionada com a crise do SUS em Salvador e em todo Brasil. Neste impasse da falta de investimento e de verba suficiente para a saúde, só quem perde são os pacientes que, algumas vezes, chegam a permanecer meses nas filas do SUS, a espera de atendimento, que às vezes nunca chega.</p>
<p>(novembro de 2007)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/26/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=26&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Colégio Raimundo Gouveia</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 11:29:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>bereubr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Isis Rodrigues Ao chegar ao Colégio Estadual Raimundo Gouveia, foi possível matar a saudade dos velhos tempos de escola. Crianças correndo, gritando, jovens em grupo conversando e alguns matando a fome na hora do recreio. O colégio fica no bairro de Castelo Branco, na movimentada Rua A, 2ª Etapa do bairro. A instituição encontra-se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=21&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/colegio_isis3.jpg?w=594" alt="colegio_isis3.jpg" /></p>
<p>por Isis Rodrigues</p>
<p>Ao chegar ao Colégio Estadual Raimundo Gouveia, foi possível matar a saudade dos velhos tempos de escola. Crianças correndo, gritando, jovens em grupo conversando e alguns matando a fome na hora do recreio. O colégio fica no bairro de Castelo Branco, na movimentada Rua A, 2ª Etapa do bairro. A instituição encontra-se em bom estado de conservação e seus profissionais estão sempre presentes e atentos ao ensino e comportamento de seus alunos.</p>
<p><span id="more-21"></span></p>
<p>O colégio freqüentemente está em reforma, devido aos próprios alunos, que riscam as paredes, quebram as carteiras e não têm os devidos cuidados com o material na escola. Eles destroem e depois exigem melhorias. “Essa situação não acontece só no Raimundo Gouveia e, sim, em todos os colégios públicos e em alguns particulares”, como afirma a vice-diretora e professora de Geografia Marlene Ribeiro. Porém, para Marlene há também aqueles alunos que contribuem, cuidando da sua escola.</p>
<p>Um dos problemas das escolas públicas é a falta de assiduidade dos professores. No Raimundo Gouveia é diferente, como afirma Marlene: “O colégio é super burocrático com relação às faltas dos professores. Quando um professor falta, a secretaria logo envia outro para que os alunos não fiquem sem aula. O colégio tem capacidade para cerca de 2.400 alunos, e possui mais de 70 professores, com a carga horária completa”.</p>
<p>Alunos do colégio elogiam a sua qualidade, pois há feiras de ciências, algumas atividades complementares e passeios. A aluna da 6º série Letícia da Silva, 12 anos, disse que ama o seu colégio, seus professores são excelentes, algumas aulas são boas, outras não, e que a diretoria vem fazendo muitas melhorias no colégio. Para ela, o Raimundo Gouveia possui uma boa rede de funcionários de limpeza que trabalham para manter a higiene no local, não só nos banheiros, como também na cantina.</p>
<p>“Os lanches da cantina são feitos de acordo com um cardápio preparado e enviado pelo MEC e atualmente oferecido somente ao ensino fundamental”, disse Marlene. Além disso, ela ressalta que os funcionários da cantina fazem cursos de reciclagem.</p>
<p>Nem todo mundo acha que as escolas públicas possam ter uma boa forma de ensino. Algumas pessoas acham que por ser uma rede pública, os meninos e meninas que estudem lá serão marginais, que não podem ter um bom futuro na vida. Outros pais têm condições, mesmo assim não colocam seus filhos para estudar em colégios do governo para não ter que gastar dinheiro.</p>
<p>Muitos pais matriculam seus filhos em colégios do governo por não terem condições financeiras de pagar por uma rede de ensino privada. A dona de casa Flávia Mendonça, 38 anos, desempregada, disse: “Não tenho condições de pagar uma escola boa para meu filho. Se tivesse, lhe garanto que ele não estaria estudando em uma escola publica, mas infelizmente tive que colocá-lo em uma, pois estou desempregada. Não suporto a idéia de que meu filho está em um lugar onde ninguém se importa se as crianças estão ou não aprendendo, e muito menos com o futuro delas”.</p>
<p><strong>Educação no Brasil<br />
</strong>Uma garota que não quis ser identificada contou que estudou a vida inteira em rede pública e, segundo ela, falta muito para o ensino melhorar. A estudante afirmou que teve uma grande dificuldade no aprendizado, pois a falta de disciplina é grande, pois o governo não está nem aí para nada.</p>
<p>Marlene Ribeiro, a vice-diretora do Colégio Estadual Raimundo Gouveia, defende o ensino público de todas as formas possíveis, mas também concorda que o ensino público ainda encontra-se muito debilitado no nosso país: “A educação está precisando de melhorias urgentes. O governo poderia tomar uma atitude, rapidamente sobre o assunto. No Raimundo Gouveia os profissionais são todos competentes e realmente se importam com a qualidade do que transmitem aos seus alunos”, complementa Marlene.</p>
<p>A própria Marlene é um exemplo de que o ensino público pode ser uma boa opção, se os alunos tiverem interesse de verdade. Ela estudou a vida inteira em colégio público, formou-se em Letras na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e, além disso, pretende fazer pós-graduação. Marlene tem uma visão otimista sobre a situação e espera que um dia o ensino público possa ter uma melhoria significativa, não sendo mais ridicularizado por alguns e onde os alunos não sejam mais vistos de maneira tão mesquinha.</p>
<p>(outubro de 2007)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=21&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Acarajé da Mina</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Dec 2007 11:12:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Aricelma Araújo “E aí, Mina, boa noite! Me dá aí um acarajé!”. É assim que os fregueses de Guilhermina Oliveira dos Santos, 42 anos, chegam para comprar um aperitivo muito conhecido no Brasil e principalmente na Bahia: o acarajé. O acarajé, um bolinho feito de feijão fradinho frito no azeite de dendê, característico do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=16&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Acarajé da Mina - Por Aricelma Araujo" href="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma8.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma91.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma91.jpg" /></p>
<p>por Aricelma Araújo</p>
<p>“E aí, Mina, boa noite! Me dá aí um acarajé!”. É assim que os fregueses de Guilhermina Oliveira dos Santos, 42 anos, chegam para comprar um aperitivo muito conhecido no Brasil e principalmente na Bahia: o acarajé. O acarajé, um bolinho feito de feijão fradinho frito no azeite de dendê, característico do candomblé, fez de Mina uma das principais baianas de acarajé do bairro de Castelo Branco. Vendendo acarajé há mais de 20 anos no bairro, qualidades não faltam a esta baiana, que herdou de sua mãe o dom de fazer estes bolinhos tão experimentados por todos nas redondezas. Mina e seus irmãos vendem acarajé desde o falecimento da sua mãe e sobrevivem dele. <span id="more-16"></span></p>
<p>Sendo um dos principais atrativos encontrados no tabuleiro da baiana, o acarajé surgiu ainda no período colonial, através das escravas que vendiam de porta em porta iguarias como beijus, cuscuz, bolinhos entre outros. Com trajes brancos, as mulheres enfeitavam-se com colares, pulseiras, brincos e colocavam o tabuleiro sobre a cabeça caminhando pelas ruas de Salvador.</p>
<p>Tombado em 5 de novembro de 2004  pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como bem imaterial, o acarajé, como afirma a vice-presidente da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia (ABAM), Rita Maria Ventura dos Santos, 51 anos, ao longo dos anos vem se tornando um meio de sobrevivência para a população afro-descendente de Salvador.</p>
<p>Segundo informações concedidas pela ABAM, existem quase 5 mil baianas vendendo acarajés em tabuleiros espalhados por quase todos os cantos da cidade. As baianas costumam se instalar em pontos fixos, geralmente em lugares mais conhecidos da cidade ou então os lugares mais populares, como Itapuã, Pelourinho, Rio Vermelho, Amaralina, entre outros.</p>
<p>Mina contou que nasceu no bairro de Nordeste de Amaralina, e que quando tinha apenas um ano de idade, mudou-se com sua família para o bairro de Castelo Branco. Durante a conversa, ela revelou a sua história de vida. Disse que aos 15 anos, ainda na quarta-série do primeiro grau, depois de ter perdido sua mãe Elizabete Oliveira do Santos, e de seguidamente ela e seus 11 irmãos terem enfrentado o abandono do seu pai, passou a trabalhar como doméstica, até que certo dia viu no acarajé incentivo suficiente para mudar uma situação que estava lhe deixando muito triste: a falta de seus pais e a luta pela sobrevivência. Foi então que começou a vender acarajé em um lugar que atualmente é o posto de saúde do bairro.</p>
<p>A partir daí conseguiu ajudar sua irmã mais velha, Vandinalva dos Santos Brandão, 48 anos, a criar o restante dos irmãos. Ela disse que, apesar das dificuldades, os 12 irmãos permaneceram unidos até que cada um foi ficando independente e a partir de então ela resolveu não parar nunca mais de vender acarajé. Casou-se e teve um filho, passando assim a se sustentar através do bolinho de feijão fradinho frito no azeite de dendê. Seu ponto, atualmente, faz parte de uma área pertencente à Escola Municipal Dona Arlete Magalhães e conta que conseguiu graças à gentileza de um vereador do bairro que lutou pela liberação na Prefeitura Municipal. Sua banca está localizada atualmente na Rua A, ao lado da Cesta do Povo da Primeira Etapa do bairro.</p>
<p>Quando perguntada sobre seu apelido, ela respondeu muito entusiasmada: “Surgiu quando ainda eu era criança. E aí pegou. Está aí até hoje. Todos me chamam de Mina”. Enquanto conversávamos, a baiana dava uma parada daqui, outra dali para despachar a clientela. Escutei por diversas vezes: “Só um minuto, viu, deixa eu ir atender e já volto”! Sem dúvida alguma, além de ser dona de um dos melhores acarajés do bairro, Mina é muito atenciosa e educada. Durante o bate-papo, ela revelou que a maior parte dos seus irmãos sobrevive do acarajé e em seguida já foi mostrando o caminho que eu teria que percorrer mais adiante. Em seguida, disse ter mais quatro irmãos que vendem acarajé no bairro e outros parentes que sobrevivem também do acarajé.</p>
<p>A barraca da Mina é armada a partir das 18h, todos os dias da semana e conta com quatro ajudantes, que ela considera especiais. A sua irmã Joselita Oliveira dos Santos, 35 anos, que também é baiana de acarajé e deixou de ser por problema de coluna. Seu sobrinho, Ramon Oliveira dos Santos, 12 anos. Seu filho Tiago dos Santos Cerqueira, 13 anos, e Vanilda dos Santos Machado, 32 anos. Ao chegar à barraca antes das 20h30, o cliente não vai encontrar Mina, só mesmo a partir das 21h.</p>
<p>Enquanto conversávamos, o movimento era grande. Entre um bate-papo e outro, escuto: “O acarajé está passando de geração em geração”. É a voz de sua irmã Joselita. Mina fazia questão de atender a todos com muita agilidade. Quis saber como conseguia ser assim. Ela respondeu: “O tempo me ensinou pegar a prática. Já faz tanto tempo que trabalho com isso. Acabei me adaptando”. Continuamos conversando. De repente chega uma de suas clientes mais antigas, Railda Lima dos Santos, 37 anos, que declarou com orgulho por que só come o acarajé da Mina. “O acarajé é bom e tem qualidade. É feito com carinho. Outro não me serve”. E caminha saboreando o acarajé.</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma8.jpg?w=594" alt="Acarajé da Mina - Por Aricelma Araujo" /></p>
<p>Para Mina, a época de maior venda é dezembro. Com sorriso no rosto brinca: “Nessa época o povo está cheinho de dinheiro, recebeu o décimo. Aí já viu, né”? Continuamos e ela revela que semanalmente vende mais de 500 acarajés com o valor de R$ 2 com camarão e R$ 1 sem e que a renda obtida dá para pagar todas as suas contas, água, luz, telefone, alimentação: “Consegui comprar até minha casa. O acarajé resolve meus problemas. É a minha sobrevivência”.</p>
<p>A baiana declarou que o horário de pico é a partir das 20h: “A partir daí o bicho pega, nega! Tá pensando que é brincadeira”?  Quanto à competição, quando perguntada, Mina respondeu: “Não. Não há por que eu tenho já os meus clientes certos. Por aqui cada qual tem seus clientes”. Quis saber do traje de baiana que ela não veste. Argumentou que o bairro não exige, pois os lugares que mais exige ficam no centro, nos lugares turísticos de Salvador. Mas afirmou já ter usado muito.</p>
<p><strong>Clientes</strong><br />
A clientela de Mina é de todas as idades. Crianças, jovens e adultos, todos querem saborear seu acarajé. Vindos dos bairros vizinhos, como Pau da Lima, Cajazeira, Vila Canária, Águas Claras e até mesmo de bairros distantes como Itapuã, os clientes da Mina são de fato especiais, pois vem à barraca de carro, de moto, esperam na fila, querem mesmo é saborear o acarajé. Ela conta que vende acarajés para pessoas de Aracaju e São Paulo: “As pessoas vêm, compram o acarajé e levam os ingredientes separados”.</p>
<p>Muitos deles acompanham a história da baiana desde o início, como é o caso de Lúcia Santos da Silva, 53 anos. Com ela não precisei pedir para falar, já foi se pronunciando: “Ah, minha filha, Mina é a melhor do bairro. É a melhor baiana que já vi”. Entre um cliente e outro, descobri que existem clientes tão antigos, ainda do tempo de sua mãe e que já não podem mais freqüentar a barraca e por isso decidem mandar seus netos para efetuar a compra. A baiana faz de tudo para agradar a todos: “E aí, quer pimenta, vatapá, caruru, salada e camarão”? Continua: “A que está com pimenta está separada, viu”? E assim ela vai tratando todos do mesmo jeito.</p>
<p><strong>Irmãos </strong><br />
Depois de já ter batido um papo com Mina, cheguei à barraca da sua irmã mais velha, Vandinalva dos Santos Brandão, 48 anos, apelidada pelos irmãos como “Arara”, por que começou a falar cedo demais. Mãe de três filhos e moradora de Vila Canária, não mede esforços para nada. É ágil como sua irmã. Com características bem próximas a de Mina, “Arara” foi atenciosa. Disse vender acarajé há mais de 28 anos e que aprendeu o ofício com a sua mãe.</p>
<p>Sempre trabalhando no mesmo ponto, na Praça da Feirinha, ela disse que já enfrentou muitas dificuldades. Afirmou que carregava o tabuleiro, os preparativos do acarajé em um carro-de-mão e que, depois de tanto tempo, agora conseguiu comprar um carro para fazer o transporte das coisas. Enquanto conversávamos, seu filho Lucas dos Santos Brandão, 23 anos, atendia os clientes que já estavam a fazer fila. Quanto o seu sonho, afirmou: “Me aposentar e descansar na minha casinha na ilha”. Agradeci a conversa e segui em frente, estava em busca da próxima barraca.</p>
<p>Caminhei em direção à sinaleira da Primeira Etapa, e ao recordar da indicação de Mina, encontrei o próximo tabuleiro. É o de Joselito Oliveira dos Santos, 37 anos, irmão de Mina que também vende acarajé há mais de 12 anos. Ele contou que depois de ter trabalhado com office-boy, auxiliar de serviços gerais e em um supermercado, descobriu que não dava muito certo trabalhar para os outros, daí ter começado a vender acarajé e não ter parado mais: “O acarajé hoje é para mim um meio de sobrevivência”, declarou.</p>
<p>Joselito, pai de quatro filhos, não trabalha sozinho. Além de contar com a ajuda da sua esposa, conta também com a ajuda de seus filhos. Jonatas Brandão dos Santos, 14 anos, e Jéferson Brandão dos Santos, 16 anos. Ele fala do futuro de seus filhos: “Eu não quero que o futuro dos meus filhos seja como o meu, mas se eles se formarem e não achar nada, o jeito é vender acarajé mesmo”. Declara ainda que diariamente vende mais de 70 acarajés, mas que o período de maior venda é no final de semana. Descobri que da Primeira Etapa até a Segunda do bairro de Castelo Branco, a maior parte dos tabuleiros montados são de pessoas da família de Mina.</p>
<p>Depois de ter conversado com Joselito, retornei à barraca de Mina, desta vez não apenas para continuar a conversa, mas sim para saborear o delicioso acarajé. Quis saber dela qual a receita para o acarajé ficar tão crocante. Rindo mais uma vez, respondeu: “Trabalho com amor, carinho e dedicação. Tudo feito com amor sempre sai perfeito”. Continuamos conversando, e quis saber se era cadastrada na Associação das Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia (ABAM) ou se tinha a carteira de baiana de acarajé, ela respondeu que sim, há muitos anos, e disse que seu cadastro pertence a Federação do Culto Afro Brasileiro, que fica no Pelourinho, mas que precisa fazer atualização no cadastro ou então associar-se à associação. Quando perguntada sobre o fato do acarajé ter se tornado Patrimônio Nacional, respondeu: “Do acarajé ninguém enjoa. Desde quando minha vó existia, o acarajé já era tradição. Tinha mesmo é que ser reconhecido”. Entre um olhar e outro, a baiana falava: “Acarajé hoje, freguês”?</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma7.jpg?w=594" alt="Acarajé da Mina - Por Aricelma Araújo" /></p>
<p>A baiana Mina revelou ainda que, das pessoas da sua família, quem mais vende acarajé é o seu irmão Jailton Oliveira dos Santos, 44 anos, que vende na Segunda Etapa do bairro e confessou que seu plano futuramente é colocar farda para as pessoas que trabalham com ela. Sobre a ABAM, comentou que a associação oferece regalias e que vai se cadastrar. Depois da longa conversa, me despedi e saí da barraca com uma única conclusão. Ser baiana de acarajé não é para qualquer pessoa. Mina, em todos os aspectos, mostrou ter de fato qualidades suficientes para ter se consagrado como uma verdadeira baiana de acarajé no bairro de Castelo Branco.</p>
<p><strong>ABAM</strong><br />
Depois de ter conhecido a história da baiana Mina, resolvi ir à Associação das Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia (ABAM), para entender ainda mais o valor que o acarajé possui na vida de muitas pessoas que o utilizam como forma de sobrevivência. A associação surgiu em 1992 e sua fundadora foi Clarice Souza dos Anjos, que até então era baiana de acarajé e devido a vontade de preservar a cultura teve essa iniciativa.</p>
<p>A receptividade na associação foi muito boa.  Ao chegar, fui atendida por Jeová Paiva Câmara, 61 anos, consultor da associação que logo contou qual o procedimento que a baiana tem que seguir para se cadastrar na ABAM: “A baiana em primeiro plano tem que ser atuante, em seguida fazer o documento na SESP (Secretaria Municipal de Serviços Públicos), e depois procurar a associação munida de todos os documentos para então se associar”. Contou ainda que a taxa de inscrição é de R$ 45 e a manutenção é mensalmente com um valor de R$ 5.</p>
<p>Durante a conversa, percebi que muitas pessoas chegavam para conhecer a associação. Gente de todos os lugares e de todas as faixas etárias, inclusive alunos de rede pública e particular. Na associação, o visitante além de ser acompanhado por um guia para conhecer a história das baianas, pode ainda comprar artesanatos da cultura da baiana e do acarajé na Bahia. Jeová revelou que a associação busca recursos na iniciativa privada e nos órgãos governamentais, como Bahiatursa, Emtursa, Secretaria de Turismo. Disse ainda contar com a SEBRAE, SENAC para conseguir benefício como tabuleiros, sombreiros e cursos de aperfeiçoamento para as baianas cadastradas.</p>
<p>Enquanto conversávamos, mesmo o espaço sendo pequeno, atendia aos poucos os visitantes que chegavam. O consultor disse ainda que o espaço da associação foi cedido pela prefeitura, que essa foi a maior contribuição que conseguiu. Entre uma conversa e outra, chega a vice-presidente da associação, Rita Maria Ventura dos Santos, 51 anos, que também foi gentil em falar das regalias que a baiana passa a ter quando cadastrada na associação: “As baianas têm conta aberta nos bancos que são nossos parceiros (Banco do Brasil, Caixa Econômica e Bradesco). Damos declaração de rendimentos para abrirem créditos na praça. As baianas têm seus processos acelerados na SESP e por fim ganham descontos em plano de saúde”.</p>
<p>Muita gente boa e educada, Rita fez questão de falar sobre seu futuro projeto: “Quero conseguir juntamente com o governo federal o reconhecimento da profissão baiana de acarajé. Gostaria que fosse regularizada”. Declarou ainda que, de mais de 5 mil baianas existentes em Salvador, apenas 2700 baianas são cadastradas na associação.</p>
<p>Depois do bate-papo, agradeci e logo avistei, mais uma vez, uma quantidade de pessoas curiosas do lado de fora da associação. Esperavam ansiosos a saída dos visitantes que estavam conhecendo de maneira bem tranqüila a história das baianas,  a história daquelas  responsáveis por fazer os bolinhos de feijão fradinho fritos no azeite de dendê.</p>
<p>(outubro de 2007)</p>
<p><strong>Leia também</strong>:</p>
<p><a href="http://soteropolitanosculturaafro.wordpress.com/2007/10/30/acara/">Acará</a></p>
<p><a href="http://soteropolitanosdaorla.wordpress.com/2007/05/29/patrimonio-nacional/">Patrimônio nacional</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=16&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Acarajé da Mina - Por Aricelma Araújo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Feira da gente</title>
		<link>http://soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/2007/11/20/a-feira-da-gente-da-nossa-gente/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2007 21:44:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fagnerabreu</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Aricelma Araújo Quem chega à sinaleira da primeira etapa de Castelo Branco, ao desviar o olhar para frente, logo avistará a popular feira do bairro. A “feirinha”, como é conhecida por todos, é denominada assim devido a forma simples como começou há mais de 32 anos. Apesar de ainda não ter passado pelo processo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=8&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/feiracastelobranco2_aricelm.jpg?w=594" alt="feiracastelobranco2_aricelm.jpg" /></p>
<p>por Aricelma Araújo</p>
<p>Quem chega à sinaleira da primeira etapa de Castelo Branco, ao desviar o olhar para frente, logo avistará a popular feira do bairro. A “feirinha”, como é conhecida por todos, é denominada assim devido a forma simples como começou há mais de 32 anos. Apesar de ainda não ter passado pelo processo de ordenamento feito pela Secretaria se Serviços Públicos (Sesp), a feira vem crescendo e se tornando uma fonte de renda para muitos moradores e barraqueiros vindos de outros bairros. Além dos consumidores do próprio bairro, consegue atrair gente dos bairros vizinhos e daí especialmente aos domingos um grande número de pessoas circula atrás de seus produtos. Gente de todas as gerações busca comprar os produtos vendidos na feira. A variedade de produtos é grande. São frutas, roupas, sapatos, CDs, DVDs. Todos chegam cedo atrás de preço baixo.<span id="more-8"></span><br />
Segundo informações do feirante Manoel José, 45 anos, a feira foi fundada por japoneses, vindos de Mata de São João e Jaguaquara.  Na época, eram poucas barracas, que foram padronizadas pelo Centro de Abastecimento de Salvador (CEASA) medindo mais ou menos dois de largura e um de comprimento. Ele contou ainda que possuíam latas de lixo, cobertura de lona, e que a CEASA fazia o transporte, em todos os dias de feira. Enfim a feira era mais organizada que hoje.</p>
<p><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma4.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma4.jpg" /></p>
<p>De acordo com dados obtidos da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SESP), a feira atualmente conta com mais de 111 feirantes. Este é o número de pessoas cadastradas, o que não impede de ter bem mais, pois diariamente cresce o número de feirantes e ambulantes, espalhados pela Rua B, ou “Rua da Feirinha”, como é chamada por todos os moradores do bairro. Durante a semana, as barracas de menor porte ficam instaladas, ocupando o lugar daquelas que são responsáveis pela origem da feira. Ao chegar domingo, elas se escondem um pouco, deixando espaço para as pioneiras, as de maior porte.</p>
<p>A feira é do tipo fixa e surgiu logo depois da fundação do bairro. Ela acontece todos os dias da semana, das 7h da manhã às 19h, atraindo diariamente mais de 300 pessoas. Aos domingos, o funcionamento é só até o meio-dia, mas, em compensação, é o dia que mais atrai gente do bairro inteiro e de bairros vizinhos, como Dom Avelar, Cajazeiras, Águas Claras, Vila Canária, Pau da Lima, entre outros. Aos domingos, o número de pessoas circulando pela feira ultrapassa mais de mil, pois a feira é maior, chegando a se espalhar um pouco pela Rua A, com maior variedade, preço baixo e a presença de feirantes de qualidade, como Manoel José.</p>
<p>Manoel José, 45 anos, pai de dois filhos, feirante há mais de 35 anos, conta que começou a ser feirante com o cunhado. É ainda cadastrado na forma de grossista, ou seja, aquele feirante que vende de tudo, frutas, verduras, cereais, hortaliças, e ainda comercializa em outros bairros, como Saboeiro, Bonfim, Itaigara, Caminho das Árvores. Ele diz que é como cigano: “Cada dia estou em um local vendendo meus produtos”.</p>
<p><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma5.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma5.jpg" /></p>
<p>Durante o bate-papo, descubro que alguns de seus produtos vêm da CEASA, outros de vários Estados do Brasil, como São Paulo, Minas Gerais e da própria região nordeste. São produtos como ameixa fresca e kiwi. Ele fala ainda que existem frutas que vêm da Argentina, e fala da importância da comercialização com o exterior: “A importação sai mais barato, vem com qualidade, e nem sempre o nacional nos oferece isso,  é isso que importa para mim”. Contou ainda o horário que chega aos lugares para armar a barraca: “Cheguei aqui hoje era 4h da manhã, agora a barraca está aí toda arrumada”.</p>
<p>Enquanto conversávamos, seus funcionários, todos padronizados de uniforme verde, com o nome da barraca M.J.F. R Hortifrut agradavelmente atendiam a clientela. Na barraca, Manoel além de contar com ajuda da família, da esposa e do irmão, conta ainda com quatro funcionários. Já havíamos conversado muito, quando de repente me confessou que tinha outros parentes como feirantes e logo me mostrou qual seria a minha próxima direção. Durante a conversa, Manoel quase não parou. Ora conversava com os clientes, ora batia um papo, ora ia ajudar no controle do trânsito que estava congestionado por um carro de mão mal estacionado, ora ensinava o funcionário como cortar a melancia, para chamar atenção dos fregueses.</p>
<p>Nossa conversa parecia não ter mais fim, até que quis saber de sua relação com a SESP e sua opinião sobre o ordenamento da feirinha, que ainda não foi feito. Ele disse que é cadastrado, e que a feirinha ainda não foi ordenada por que um certo tempo atrás ocorreu um episódio em que a SESP queria remover a feira do local e colocar em outro, mas a associação e os políticos locais reagiram, optando pela permanência da feira no lugar em que está atualmente, pois a maioria dos feirantes, na época, eram moradores do local.  Quanto à sua relação com a SESP, desabafou: “Gostaria de pagar, para poder contar com uma melhor organização, ter banheiros públicos, vasos de lixo, saneamento, tudo de direito, mas&#8230;”.<br />
<strong> </strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/feiracastelobranco_aricelma.jpg?w=594" alt="feiracastelobranco_aricelma.jpg" /></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Histórias de feirantes<br />
</strong>Com a garganta seca e um pouco cansada, parei para beber um pouco de água. Em seguida continuei o meu trajeto pela popular feirinha e logo escutei: “Ói eu. Ói eu”. Era a voz de Marilene Soares, 53 anos. Marilene é feirante há 10 anos e conta que começou a sua história vendendo em um carro de mão, subindo e descendo as ruas de Castelo Branco e ainda vendendo em um ponto de ônibus, até que apareceu a SESP e a instalou na ferinha, onde está até hoje vendendo suas frutas de qualidade e diversificadas. Marilene fala que há frutas como rambutã, mangustão e romã que, às vezes, só são encontradas em sua barraca. Durante a conversa, presenciei a forma carinhosa como ele tratava os fregueses: “E aí, meu amor! E aí, meu bem, meu gostosão, bonitona! Vai levar o que hoje?”.</p>
<p>Marilene conta que os produtos mais vendidos em sua barraca são a acerola, a goiaba e maçã e que seus produtos, assim como os de muitos feirantes, vêm de outros locais, como Juazeiro, Minas Gerais, Sul da Bahia e também da CEASA. Fala ainda da SESP: “Seria muito bom se a feira fosse mais organizada, está aí desse jeito”.</p>
<p>Por indicação de “Ói eu”, fui até José Carlos, 55 anos, pai de três filhos que sobrevive sendo feirante há muitos anos, desde o surgimento da feira. Em sua barraca, ao mesmo tempo em que vende, consegue brincar e divertir os que estão ao seu redor. Enquanto conversávamos, quis saber sua opinião sobre a SESP: “Acredito na SESP se for para organizar, para desorganizar não”.</p>
<p>Ainda na barraca de José, escuto a voz de um garoto: “Olha o DVD, um é R$ 3, e dois é R$ 5”. É a voz de Marcos Antonio, 13 anos, que me surpreende com seu entusiasmo em querer falar. Ele, em poucas palavras, resumiu o porquê estava naquele momento ali: “Dona, estou aqui por que preciso, não quero ficar com fome, quero ajudar a minha família, tenho irmãos”. O garoto fixou seu olhar em mim e começou a chorar. Naquele momento, ao lembrar da tamanha desigualdade no mundo, me faltaram palavras, não consegui continuar a conversa, despistei e saí rapidamente do local.</p>
<p>A partir daquele momento, algo mudou em mim, não consegui mais colher informações, falar com ninguém, só queria sair daquela agonia, do corre-corre. Voltei para casa e logo bateu a incerteza de continuar fazendo esta matéria. Decidi então, buscar informações na Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SESP) sobre a situação do ordenamento da feira e a licença das barracas.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Reação da SESP<br />
</strong>Em primeiro lugar, tentei falar com o coordenador de Feiras e Mercados da SESP, Iure Amorim Dias. Depois de várias tentativas, não consegui. Segundo sua secretária, o mesmo não podia me atender, daí ter me indicado o chefe do Setor de Feiras, Edson dos Santos Júnior, que por telefone cedeu algumas informações sobre a situação. Edson começou falando que a SESP enfrentaria problemas em tentar fazer o ordenamento da feira. Disse que fazer o treinamento dos feirantes, instalar novas barracas, acomodá-los e fazer o serviço de urbanização e saneamento, poderia afrontar os feirantes por causa da instalação que eles já estão acostumados da feira.</p>
<p>Quando questionado se já existe algum tipo de projeto para a feira de Castelo Branco, argumentou que a Secretaria ainda não tem projeto e que ainda está em estudo. Disse ainda que o que tiver de acontecer será ainda no próximo ano. Perguntei sobre a verba que a prefeitura disponibiliza e ele respondeu: “É de acordo com a necessidade de cada feira”. Ressaltou que nenhuma feira era ordenada, e que o ordenamento está acontecendo aos poucos. Quis saber como se dá o processo de ordenamento e ele explicou: “A prefeitura autoriza o ordenamento, os feirantes são cadastrados e mensalmente começam a pagar o Documento de Arrecadação Municipal, o (DAM), que é uma taxa no valor de R$ 14,90. Os fiscais entregam em mãos a cada feirante o documento, que é pago em banco”. Edson faz questão de frisar: “Quando a feirante paga o DAM, ele está pagando pelo local que está utilizando”.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Retorno à feira<br />
</strong>Alguns dias se passaram, e no dia nove de setembro voltei à feira, desta vez com a finalidade de fechar conclusões sobre tudo que já havia visto e atrás de uma das personagens muito importante da feira, considerada uma das fundadoras. Dona Júlia dos Santos, 53 anos, moradora do bairro, trabalha na feira há mais de 31 anos, vendendo temperos como coentro, cebolinha, verduras e frutas.</p>
<p>Dona Júlia conta que, quando começou na ferinha, existiam pouquíssimas barracas, e que foi uma das primeiras feirantes da época. Conta que os produtos que vende vêm da CEASA, e da feira de São Joaquim e ainda comenta de que forma são trazidos: “Freto carros para transportar as mercadorias, eu sozinha não agüento”. Dona Júlia, mesmo já sendo uma pessoa de certa idade, é quem pega os caixotes com os produtos para arrumar na barraca. Mostra que tem força e vontade para trabalhar, é um exemplo para qualquer ser humano.</p>
<p>Sigo em frente. Hoje o movimento está maior. Logo avisto uma barraca de tamanho parecido com a de Manoel, mas desta vez não é a dele, e sim, a de André Luiz, seu sobrinho, um feirante que contou a sua história: “Comecei a ser feirante como o meu pai, Pedro Raimundo, desde de então não deixei mais, cada dia estou em um lugar, ora aqui, ora acolá. Cheguei aqui hoje 5h30 minutos, não paro”. Enquanto escutava André, do meu lado, do outro lado da rua, gritava Edimilson Sousa, 33 anos: “Hoje é promoção, R$ 0,50 é o coco verde, R$ 2,50 é melancia, 10 laranjas é R$1. Vamos, vamos, minha gente! Olha a promoção”. A freguesa chega e ele a atende: “Diga aí, freguesa, hoje é promoção, é pra vender barato”. A freguesa é dona Antonia Barreto, 70 anos, moradora do bairro desde a fundação. Ela conta que quando chegou a Castelo Branco só existiam três casas. Pergunto a ela se vale a pena comprar na ferinha e ela responde com maior paciência: “Comprar aqui nem sempre sai mais barato, por que os feirantes já pegam alguns produtos caros, mas é bem melhor que  ir para São Joaquim, e também a qualidade dos produtos daqui é maior, são fresquinhos”.</p>
<p>A cada parada em um lugar da feira, presenciava situações engraçadas, tipo a de Miguel Ribeiro, 24 anos, que concorria na venda de frutas com Adilson Fonseca, 20 anos: “A casa caiu viu? A casa caiu para a concorrência”. Diante de tantas barracas, de tanta gente circulando, o trânsito é insuportável. Os motoristas, alguns incompreensíveis, nem sempre querem ceder passagem um para o outro. Começam então, os xingamentos, as buzinas e o grita-grita do povo. O desespero aumenta, e só acalma um pouco quando alguém tenta manter o bom senso do diálogo ou tirar do caminho o que está atrapalhando, que na maioria das vezes são carros de mão, veículos estacionados e até as próprias pessoas com suas compras.</p>
<p>Quanto à concorrência entre os comerciantes do local, Josias José, 52 anos, gerente de um supermercado localizado na rua da feirinha, argumenta: “A concorrência não existe. Cada comerciante tem o seu ramo, a forma de comercializar, nós vendemos a cartão de crédito, e a feira é só a vista”. Ele disse ainda que a feira movimente o comércio, e que se ela  não  existisse, o comércio do bairro seria hoje um fracasso. A partir daí fui atrás de um outro comerciante do local, queria ouvir um outro argumento sobre a feira. Encontrei Ana Mello, 35 anos, proprietária de uma loja de roupas íntimas, também na mesma rua da feira. Ana diz gostar da feira, e que não a incomoda em nada: “A feira vende tudo à vista, e aqui não, pode ser com o cartão”.</p>
<p>Apesar do cansaço, continuei seguindo. A variedade de produtos vendidos pelas barracas é grande. Encontro roupas íntimas, produtos importados, frutas, verduras, mariscos, peixes, carne, roupas para toadas as idades, barracas de doces, bolos e salgados, enfim de tudo um pouco é comercializado.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Lugar de diversão<br />
</strong>Vou caminhando e de repente escuto: “Olha como a feira está bonita hoje! Está é limpa”! É a voz de Aliane Santos, 30 anos, que em seguida escuto gritar: “Êi. E aí tudo bem? Como vai você? E os meninos? Você sumiu hein, mulher? Quais as novidades”? Observei bem. Em apenas um minuto, ela avistou sua amiga do outro lado da rua, se aproximou e já foi conversando. Quando perguntei o que estava fazendo na feira, me respondeu: “Fazendo umas comprinhas e, é claro, me divertindo um pouquinho, né? Ficar em casa só não dá certo, agente deprime, não acha”? Acabei concordando.</p>
<p>Segui mais uma vez, e encontrei Adilson dos Santos, 27 anos. Como muitos que estavam ali, também morador do bairro. Ele e seu colega lanchavam juntos enquanto batiam um papinho. Quando lhe perguntei se freqüentava a feira há muito tempo, respondeu: “Há vinte e cinco anos, desde quando eu era guri. Meus pais me traziam com eles, e depois eu mesmo aprendi o caminho, a parti daí não parei mais”. De boca cheia, diz que freqüenta a feira não só para comprar, mas também para se divertir, encontrar com os amigos.</p>
<p>Resolvi tomar um sorvete, escutei do outro lado da rua: “Eu quero falar também. O que é isso hein, moça? Posso falar? Anota aí, vai”. Era  Tatiane Borges, 23 anos. Alegre da vida, conta que começou a freqüentar a feirinha ainda quando criança: “Venho aqui sempre, além de comprar verduras, frutas, CDs e DVDs, encontro também os amigos. Ela conclui: “Aqui é muito legal e domingo que o movimento é maior é ainda melhor”.</p>
<p>Mais adiante avisto uma pessoa que logo identifico como portador de deficiência física. É o Paulo Marcos, 37 anos, que freqüenta a feira há mais de sete anos: “Venho aqui para fugir um pouco da solidão. Aqui eu consigo me divertir, me distrair, brincar com as pessoas e em seguida volto para casa com outro ânimo”.</p>
<p><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/12/castelobranco_aricelma6.jpg?w=594" alt="castelobranco_aricelma6.jpg" /></p>
<p>A cada canto que percorri, presenciei situações diferentes. Percebi a força nos braços que não só os homens têm para trabalhar, como também as mulheres. Presenciei famílias inteiras em busca de sustento próprio. A feira vem crescendo, se tornando um meio de sobrevivência para as pessoas que não sabem fazer outra coisa. Adultos, crianças, idosos, todos cumprindo quase as mesmas tarefas no meio da multidão: vendendo e ganhando seu sustento para não passar fome.</p>
<p>Em nenhum momento constatei descontentamento nas pessoas. Todos ali, mesmo já cansados, demonstravam que estavam felizes em estar ganhando seu sustento de forma honesta, sem ferir sua integridade. Percebi que conversavam comigo de forma alegre, satisfeita. Contavam suas histórias, relembravam de fatos importantes, se emocionavam, enfim, percebi de verdade que suas palavras foram expressas com alma, disseram tudo que queriam que eu soubesse.</p>
<p><strong> “O bico”<br />
</strong>Jovens e adultos que não querem constar no índice da marginalidade, da fome, da miséria,  encontram na feirinha uma forma para ganhar um trocado para ajudar no sustento de suas famílias, como é o caso de Carlos Alberto, 47 anos.  Morador do bairro, há três anos trabalha com um carro de mão fazendo entrega de compras, água mineral, e Borjão de gás. Carlos conta como começou a fazer bico: “Há três anos atrás, estava sem fazer nada, precisava achar uma forma de sustentar a minha família e daí então veio a idéia, usar para trabalhar o meu carro de mão. Está aí, deu certo até hoje”. Conta ainda que está sempre disponível para aqueles que exageram nas compras ou então está cansado do stress do dia-a-dia. Depois de bate-papo revelou que mensalmente ganha mais ou menos R$ 200 e faz questão de frisar bem o seu point certo, que fica logo na sinaleira da primeira etapa do bairro, em frente, J.N. alimentos. Carlos disse que atualmente mais de cinqüenta pessoas já estão fazendo o serviço, mas que ele tem muito destaque, porque trabalha com agilidade. Enquanto conversávamos, grita ele: &#8220;Quer um carrinho? Quer um carinho&#8221;? Diz ainda trabalhar todos os dias da semana sem horário fixo.</p>
<p>Depois, caminhando sentido feirinha, encontro Nilton Sousa, 18 anos, que trabalha apenas há dois meses no serviço. Conta por que está com o carro de mão circulando: &#8220;Faço este serviço por que gosto, não tenho condições de arrumar coisa melhor”. Disse ainda que só trabalhe duas vezes por semana, aos sábados e domingos. Caminhando mais para a parte central da feira, conheço o Ruan Santos, 15 anos, estudante, quando não está na escola está na feira como o carro de mão carregando compras para as pessoas. Ele diz que trabalha para ajudar a sua família:&#8221; Eu sempre consigo um dinheirinho para comprar algo para comer em casa&#8221;. E assim de um lado daqui, de outro ali, no meio da multidão, sempre encontrava alguém fazendo este tipo de serviço, que é uma forma honesta para sobreviver, para fugir da fome e da miséria que assola o mundo.</p>
<p>(setembro de 2007)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/8/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=8&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Sempre vai ter alguém que valorize a educação&#8221; &#8211; Entrevista com Tânia Maria Ribeiro Guimarães</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 03:08:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ENTREVISTA]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RrsT6YBl-QI/AAAAAAAAA0s/rWihfcsHLN0/s1600-h/foto-de-tania.jpg"><img border="0" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RrsT6YBl-QI/AAAAAAAAA0s/rWihfcsHLN0/s320/foto-de-tania.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a></p>
<p align="justify">por Luciana Amâncio</p>
<p>“As aulas são verdadeiras teleconferências, por que o professor tem capacidade de se programar e preparar muito melhor, porque ele está dando uma aula para 100 mil pessoas que, no caso, a Educon está atingindo” é a afirmação da professora, diretora e empresária Tânia Maria Ribeiro Guimarães sobre a Educação On-line. Formada pela UFBA em Ciências Biológicas e Pedagogia desde os 24 anos e sendo professora por muitos anos da UNEB no curso de Ciências Biológicas no campus de Alagoinhas, Tânia se sente hoje realizada na área educacional, que não foi o seu primeiro objetivo de vida. Aos 57 anos de idade e 39 de profissão, essa senhora expõe em uma conversa descontraída um pouco da sua história, sua vivência na educação, assim como questões importantes que estão em evidência no campo educacional.<span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"><span id="more-7"></span></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify"><strong>Luciana Amâncio- O que a direcionou para a área educacional?<br />
Tânia Maria Ribeiro Guimarães-</strong> Na realidade meu objetivo era medicina. Daí eu decidi estudar biologia, mas para fazer isso eu teria que fazer científico, mas como a opção de família era trabalhar para depois estudar, minha mãe me obrigou, eu não tive muita opção e eu até agradeço a ela por que deu certo. Ela me obrigou a fazer pedagógico. Então eu fiz e ainda fiz um ano de CEFET, um ano de curso industrial, aí fiz vestibular pra biologia pensando na área de pesquisa e de genética, não pensei efetivamente em nenhum momento pra educação, mas as coisas se desenvolveram para área e me realizei.<span class="fullpost"> </span></p>
<p></span><span class="fullpost"><strong>LA- O Centro Educacional Sol Nascente existe há mais de 20 anos. O que a fez fundar uma escola em Cajazeiras?<br />
TM-</strong> Eu sempre trabalhei em regiões pobres, de periferia, como eu também fui. Quando eu vim pra Cajazeiras um dia passear nessa região não tinha nada, só mato. Vim em um dia de domingo passear do lado de cá e tinha uns dois ou três dias sonhado que eu abria uma escola, não sei por que cargas d’água. Aí quando passei por aqui eu vi exatamente o que tinha visto no meu sonho:Um local com a placa vende-se. Procurei saber de quem era e comprei o terreno. E aí me disseram: “Como vai abrir uma escola numa região dessas que não tem nada, as pessoas não valorizam a educação”. Daí eu disse: “Sempre vai ter alguém que valorize a educação”. Eu acho que a educação não é só você pensar em ganhar dinheiro, é você tentar informar, dar educação de qualidade. Aí partir para abrir a escola. Quando comecei eu tinha oito pessoas, dois filhos de um amigo meu de Pau da Lima, duas sobrinhas, meus três filhos e algumas pessoas nativas da região e depois foram chegando outras pessoas. Eu fui a primeira alfabetizadora daqui. Eu era diretora e alfabetizadora e depois de repente foi crescendo até quando o trabalho foi reconhecido.</span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"><strong>LA- Imaginou que o Sol Nascente se tornaria uma referência de educação no bairro?<br />
TM-</strong> Na realidade não imaginei que chegasse a isso. Fico surpresa e ao mesmo tempo consciente do meu trabalho, a gente tem aquela coisa de que nem percebeu o quanto tem pra dar. Apesar de que quero que ela continue sendo sempre uma referência, porque acredito no jovem, acredito que a gente precisa formar líder, pois Cajazeiras precisa de líder então quem deverá se tornar líder são vocês.</span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify"><strong>LA- Qual o balanço que a senhora faz da educação no bairro desde quando aqui chegou até os dias atuais?<br />
TM-</strong> Eu acho que a educação no bairro cresceu, mas as pessoas, a comunidade por si só, não valoriza tanto quanto deveria. Ela sempre acha que quem está aqui não tem competência.</p>
<p align="justify"><strong>LA- O C.E.S.N trabalha com crianças e adolescentes com deficiência física e mental. Isso não é muito comum, pois as escolas que não são destinadas exclusivamente aos deficientes têm medo que a receptividade dos demais não seja positiva. Como se deu a idéia de incluí-los na escola?<br />
TM-</strong> Isso devemos a Érica (filha de Tânia e psicóloga) porque eu não consigo dar conta de tudo.Érica assume o pessoal que tem deficiência, ela dá acompanhamento.A gente tem surdo, mudo.Ela orienta as mães, faz trabalho com eles, reduz a questão da agressividade, porque os meninos querem se expressar e não conseguem, principalmente na fase do pré. Eles aprendem junto à turma sem problemas, eles passam a cuidar, abraçando e se preocupando coma aquele aluno. Têm material pra estudar, os professores são orientadas por ela, têm curso de libras (é a língua utilizada pela comunidade surda no Brasil), porque todo mundo deve se comunicar com aqueles que têm problema de audição. Encaminhamos atividades de relaxamento e relatórios quando é necessário.</p>
<p align="justify"><strong>LA- Como agem os demais alunos? Há algum preconceito?<br />
TM-</strong> Não tem preconceito de uma maneira generalizada. Até porque percebemos se tem algum tipo de preconceito.</p>
<p align="justify"><strong>LA- Para a senhora, os colégios públicos de Cajazeiras estão preparados para os vestibulares das universidades públicas?<br />
TM-</strong> As escolas têm tentado. O Edvaldo Brandão, as pessoas falam que continua sendo uma escola que busca isso. O governo tem tentado buscar isso, mas às vezes tem a falta de perspectiva de emprego que é uma das atitudes que tem barrado as escolas de evoluírem. Não que as escolas públicas não busquem o caminho certo, mas se o aluno não tem uma perspectiva, efetivamente ele diz, “o que eu vou fazer na escola?”. Precisa mostrar ao jovem que ao formar, ele tem lá na frente à perspectiva de trabalho e ele saber também que só vai ter trabalho se tiver competência. É outra coisa, sem competência você tem o trabalho, mas não vai ficar nele.</p>
<p align="justify"><strong>LA- E os alunos dos colégios particulares?<br />
TM-</strong> O alunado tem se esforçado até porque ele vê que para escola particular é mais difícil ir. Ele pode às vezes pagar uma escola de R$ 100, 150, mas não pode pagar de R$ 400, 500, 600, 800. Eu acho que eles buscam também, todos buscam fazer o melhor de si. Agora também tem o alunado, pois o direcionamento filosófico da escola é que faz buscar.</p>
<p align="justify"><strong>LA- A escola é afiliada a EDUCON (Educação On-line). A senhora acha que a educação computadorizada não prejudica em nada o aprendizado do aluno?<br />
TM-</strong> Não. Porque as aulas são verdadeiras teleconferências, por que o professor tem capacidade de se programar e preparar muito melhor, porque ele está dando uma aula para 100 mil pessoas que no caso, a Educon está atingindo. O que a gente fez de diferencial no núcleo? A gente partiu para o trabalho personalizado, ou seja, eles têm as aulas de teleconferência, mas a gente também faz trabalho com livros, eles têm biblioteca própria e apresentam esses trabalhos. A gente desenvolve a oralidade deles, socializa. Tem que socializar esses alunos para que eles possam ter um ponto de referência. As instrutoras fazem trabalhos em grupos, fazem debates. Eles apresentam, mandam projetos e fazem estágio. O que acontece com a educação à distância é que em um momento você tem que ter uma parte personalizada, para que esse aluno tenha um grupo de relação afetiva, por que educação é afetividade.</p>
<p align="justify"><strong>LA- A senhora era professora da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), uma das universidades que adere às cotas. O que pensa sobre esse assunto?<br />
TM-</strong> O que me preocupa nas cotas é que em parte eu me sinto prejudicada. O meu alunado de escola particular é prejudicado porque ele entra em uma disputa meio diferenciada, mas cabe a esse alunado estudar cada vez mais, buscar mais competência. O aluno cotista tem aquelas questões. Muitas vezes ele vai pela cota, mas não consegue se manter por problemas, porque não é só você ter o lugar para estudar, é você ter condições de ir para aquele local.</p>
<p align="justify"><strong>LA- Qual a sua opinião sobre a UFBA (Universidade Federal da Bahia) retirar o vestibular e usar as notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) como avaliação para entrar na universidade?<br />
TM-</strong>A UFBA sempre sai em primeiro lugar. Acho meio complicado se não houver um aumento de vagas, porque essa busca dela abrir para todo mundo, eu acho correto e aí o aluno da particular também vai ter sua chance.</p>
<p align="justify"><strong>LA- O Sol Nascente aparece sempre patrocinando os eventos realizados na comunidade. Fale um pouco sobre isso.<br />
TM-</strong> A gente faz parte dessa comunidade e toda vez que a gente participa, está ajudando, reduzindo a questão da violência, mostrando que tudo é possível desde que se queira. Todo empreendedor, toda a comunidade de Cajazeiras, o comércio, as escolas têm que buscar participar, para ter mais atividades, pois é muito gritante no bairro a falta de atividade para esses jovens. Pois se você fornece atividade, esse jovem começa a pensar diferente.</p>
<p align="justify"><strong>LA- Há muitos anos são realizados projetos educacionais com os alunos como: História da Arte, Feira da Bahia, que estimulam o aprendizado por ser realizado de uma forma diferenciada, sem estarem presos apenas aos livros didáticos. Quais os projetos para esse ano?<br />
TM-</strong> Estamos voltados para a leitura, porque temos percebido a questão de interpretação. O aluno lê, sabe responder a questão, mas aí tem dificuldade de interpretar. A leitura oral é muito importante, para saber ler, chegar a uma reunião e ler uma ata, um texto. Continuamos também com o nosso projeto de matemática do ano passado.</p>
<p align="justify"><strong>LA- Os projetos culturais de música e teatro que eram direcionados para a comunidade ainda funcionam?<br />
TM-</strong> Parou mais até porque vem muita gente de fora. A escola era muito aberta à comunidade, então a gente teve que fechar.</p>
<p align="justify"><strong>LA- O que acha sobre o apoio da Prefeitura para com as creches e escolas públicas de Cajazeiras?<br />
TM-</strong> A prefeitura devia se voltar mais para a região, pois foi uma região que deu muito voto. Fundado pelo pai do prefeito, a gente não tem o retorno necessário que deveria ter. Cajazeiras precisa procurar se organizar para eleger líderes, vereadores, um representante que busque pela comunidade.</p>
<p align="justify"><strong>LA- É rentável para a escola se manter no bairro?</strong><br />
<strong>TM-</strong>É difícil. Porque houve uma queda de poder aquisitivo muito grande. A mensalidade não é de acordo com a estrutura que a gente tem. È uma ginástica administrar, mas a gente vive aí, até pela questão do amor ao que faz, porque se buscasse só a questão de lucratividade, não iria pra frente.</p>
<p>(junho de 2007)</p>
<p></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/7/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=7&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Big bairro branco</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Nov 2007 21:23:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Ivani Lima        O bairro de Castelo Branco, apesar de ser um pouco afastado do centro da cidade, não é isolado como muitos pensam. Ao contrário, essa sua distância só o transforma em um bairro calmo e familiar, com várias praças, restaurantes e bares onde os moradores podem se reunir para o lazer. Mas, não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=6&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/castelobranco3_ivani.jpg?w=594" alt="castelobranco3_ivani.jpg" /></p>
<p align="justify">
por Ivani Lima       </p>
<p align="justify">O bairro de Castelo Branco, apesar de ser um pouco afastado do centro da cidade, não é isolado como muitos pensam. Ao contrário, essa sua distância só o transforma em um bairro calmo e familiar, com várias praças, restaurantes e bares onde os moradores podem se reunir para o lazer. Mas, não deixa de enfrentar problemas como a violência e meios de transportes insuficientes.<span id="more-6"></span></p>
<p align="justify">Dona Aurelícia Pereira, 71 anos, uma das mais antigas moradoras do bairro, confirma que essa zona urbana até meados dos anos de 1940 era considerada rural, com chácaras e plantações de árvores frutíferas e contava com a presença da maior fazenda existente da época, a Jaguaripe de Cima, adquirida em junho de 1858 pelo Coronel Francisco José Matos Ferreira Lucena.</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/castelobranco6_ivani.jpg?w=594" alt="castelobranco6_ivani.jpg" /></p>
<p>As chácaras, Mata Atlântica e vales, com os famosos quintais com áreas de lazer e de pequenas plantações, eram onde as primeiras famílias faziam seus pomares e criavam seus animais. Aos poucos esses pequenos sítios foram se desfazendo em lotes cada vez menores, de tal modo que atingiu todos os vales se transformando em moradias de níveis sócio-econômicos diferenciados. Um crescimento muito rápido que se estende até hoje.</p>
<p align="justify">O processo de ocupação das primeiras casas ocorre justamente com as construções ao longo da via principal, que constitui a parte alta que forma o bairro, onde situa-se a fábrica da Nestlé. “Antes de morar aqui fiz uma visita, para saber como seriam as casas. Só tinham as maiores de dois andares, que hoje são os mercadinhos e as duas academias da 1ª etapa”, diz a aposentada Consuelo Anunciação, 65 anos.</p>
<p align="justify"><img align="left" src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/castelobranco1_ivani.jpg?w=594" alt="castelobranco1_ivani.jpg" />Em 1950, a população crescia aceleradamente no centro de Salvador. Então o governo da Bahia através da Companhia Estadual de Desenvolvimento Urbano – CEDURB, empresa vinculada à Secretaria do Saneamento e Desenvolvimento Urbano, resolveu criar um projeto com o objetivo de forçar a expansão da cidade em direção ao Centro Industrial de Aratu – CIA e ao Pólo Petroquímico de Camaçari. “A intenção era criar equipamentos de serviços e comércio de maior porte, um tipo de sub-centro regional que estivesse posicionado em um local estratégico e que assim pudesse se consolidar ao longo dos anos”, explica o urbanista Sérgio Morais, 41 anos.</p>
<p align="justify">E assim, começa a se desenvolver o Conjunto Habitacional Castelo Branco, cujo nome surgiu em homenagem ao Presidente Marechal Castelo Branco. Construído em três etapas, na década de 60, hoje a área já compreende cerca de outros 41 bairros, que abrigam mais de 50.000 moradores. Esta parte da cidade se localiza entre a BR-324 e a Avenida Luiz Viana Filho, conhecida como Avenida Paralela, estendendo-se desde a Invasão Saramandaia até o limite Norte do Municipio, com cerca de 115 km, que corresponde a 36,74% de Salvador.</p>
<p align="justify">Ao longo desse espaço, foram criando-se cada vez mais aglomerações motivando o surgimento de novos bairros como Cajazeiras, Fazenda Grande, Dom Avelar, Mata Escura e Nova Brasília. Todos estes, denominados como Miolo de Salvador devido ao fato de estar situado, na parte central do município de Salvador, ou seja, no miolo da cidade.</p>
<p align="justify">Naquela época existia apenas um presídio de segurança máxima, a Colônia Lafaiete Coutinho, mais conhecida como Pedra Preta, e para chegar até ele, somente era possível pela estrada de chão batido que era por onde passavam os caminhões da penitenciária com presos ou alimentos. Essa antiga estrada com o tempo se transformou na Avenida Aliomar Baleeiro. “O presídio sempre existiu aqui. Nós moradores soltávamos do ônibus em um determinado ponto da Estrada Velha do Aeroporto e subíamos a ladeira por uma estradinha, era assim que chegávamos ao bairro”, lembra o comerciante Paulo Silva, 47 anos.</p>
<p align="justify">O que até os anos 60 era apenas um conjunto proletário, devido à vasta ocupação dos conjuntos habitacionais, a partir dos anos 70 com a melhoria dos meios de transporte, e o maior crescimento populacional nas décadas seguintes 80 e 90, tomou a característica de um grande bairro. Seguindo a lógica inicial do seu projeto de desenvolvimento, Castelo Branco se transformou num centro local de comércio com os mercadinhos e feira livre, serviços e equipamentos sociais.</p>
<p align="justify">Na região da 3ª Etapa, por exemplo, estão as instituições de cunho social e que atendem aos moradores de todo o bairro como o Centro Social Urbano, posto policial e a Colônia Lafaiete Coutinho. Ao longo das outras etapas estão as escolas de 1º e 2º graus, centros de saúde públicos e privados, igrejas, farmácias e lotérica. “Só saio dessa região mesmo para passear, porque nem para ir ao banco tenho problemas, às vezes vou de bicicleta até Cajazeiras. Temos tudo por aqui, diversão, escolas e posto de saúde”, completa o estudante Júnior Silva, 19 anos.   </p>
<p align="justify">Apesar da construção do bairro ter sido iniciada por programas governamentais de habitação, essa região que visava atender particularmente a população de baixa renda cresceu de forma espontânea e desordenada ao longo dos anos. Acumulou também diversas invasões e outros parcelamentos informais. “Castelo Branco é bastante confortável e bonito, o único lugar mal cuidado daqui são as invasões”, relata a funcionária pública, Maria de Fátima, 38 anos.</p>
<p align="justify">A população hoje é composta em sua maioria por muitos funcionários públicos, como policiais militares e professores do estado. “Vale ressaltar que já temos uma realidade diferente à do passado, boa parte da população do bairro já pode ser classificada como moradores de classe média”, diz o colaborador da Associação de Moradores do bairro, Josiel Vieira, 29 anos.</p>
<p align="justify">(setembro de 2007)</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdecastelobranco.files.wordpress.com/2007/11/castelobranco7_ivani.jpg?w=594" alt="castelobranco7_ivani.jpg" /></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com/6/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdecastelobranco.wordpress.com&amp;blog=2037424&amp;post=6&amp;subd=soteropolitanosdecastelobranco&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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